Miley Cyrus evita turnês e prioriza saúde mental: “Não vale o preço da minha sobriedade”

Lançar um novo álbum e não sair em turnê parece inconcebível para boa parte da indústria musical. Mas não para Miley Cyrus. Em plena divulgação de Something Beautiful, seu mais recente projeto de estúdio, a cantora norte-americana afirmou, em entrevista ao programa Good Morning America nesta terça-feira (15), que não pretende subir aos palcos tão cedo — e a decisão está longe de ser técnica ou estratégica: trata-se de preservar a própria saúde.

“Queria ter vontade de fazer uma turnê, mas não tenho. Tenho as condições físicas, as oportunidades, mas não existe uma estrutura emocional que realmente apoie os artistas em uma rotina tão intensa”, afirmou Miley, sem rodeios. A fala revela uma artista que, após anos no centro das atenções, tem escolhido estar no controle da própria narrativa — ainda que isso signifique contrariar a lógica comercial do show business.

A decisão de dizer não

Com apenas 32 anos e quase duas décadas de carreira, Miley acumula números expressivos, hits internacionais e uma base de fãs leal. Ainda assim, escolheu não embarcar em mais uma maratona de shows mundo afora. O motivo principal, segundo ela, é o impacto que a estrada causa em sua estabilidade emocional.

“É muito difícil manter a sobriedade quando se está em turnê. Já vi isso acontecer com artistas que admiro profundamente. Prince, por exemplo, viveu intensamente, e infelizmente não está mais aqui. Essa vida custa caro”, disse, apontando para os bastidores nem sempre visíveis da indústria.

Além da sobriedade, Miley também abordou o efeito psicológico de estar constantemente em estado de euforia nos palcos, e o vazio que se instala quando as luzes se apagam. “Você sente um amor gigante vindo de milhares de pessoas. E depois se vê lidando com o silêncio. Começa a achar que uma pessoa só te amando já não é suficiente”, explicou.

Um projeto visual, conceitual e introspectivo

Mesmo fora dos palcos, Something Beautiful não passou despercebido. Lançado no fim de maio, o nono disco de Miley Cyrus apresenta 13 faixas e traz uma sonoridade e estética visual marcadas por referências que vão do rock psicodélico à cultura pop contemporânea. Entre as inspirações, estão o álbum The Wall, do Pink Floyd, e o filme de terror Mandy (2018), estrelado por Nicolas Cage.

Disponível no Disney+ em formato visual, o projeto foi desenvolvido de forma intensa e meticulosa, com a própria Miley liderando os processos criativos. “Trabalhei longas horas no estúdio, pensando em cada detalhe. Esse disco é sobre a forma como enxergo o mundo, e sobre como transformo isso em arte”, afirmou à Harper’s Bazaar.

Reconhecimento sem palco

O distanciamento da estrada, no entanto, não significa ausência de reconhecimento. Ainda este ano, Miley Cyrus será homenageada com uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood, uma celebração pública de sua relevância artística que vai além da música.


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