A lista de músicos que decidiram bater de frente com a administração Trump e a Casa Branca ganhou um reforço de peso. Kesha é a mais nova artista a manifestar publicamente seu repúdio ao uso de suas canções em vídeos oficiais, após o hit “Blow” ter sido trilha sonora de um post polêmico no TikTok no mês passado. O vídeo, publicado em 10 de fevereiro, mostra um caça disparando um míssil contra um navio com a legenda “Letalidade”. Com 14,5 milhões de visualizações e quase 2 milhões de curtidas, o conteúdo não passou despercebido pela cantora, que decidiu quebrar o silêncio na última segunda-feira.

Em um desabafo direto nas redes sociais, Kesha classificou como “nojento e desumano” qualquer esforço para tratar a guerra de forma leve ou recreativa. Ela afirmou categoricamente que não autoriza o uso de sua música para promover violência de qualquer tipo, ressaltando que essa exibição de desrespeito pela vida humana é o oposto de tudo o que ela acredita. Para fechar o recado com chave de ouro, a artista ainda trouxe à tona os arquivos de Jeffrey Epstein, disparando que o público não deveria se distrair do fato de que o nome de Donald Trump aparece nos documentos “mais de um milhão de vezes”.

A resposta do governo veio carregada de ironia. Steven Cheung, diretor de comunicações da Casa Branca, debochou da situação no X (antigo Twitter), afirmando que essas “cantoras” acabam apenas gerando mais audiência e atenção para os vídeos do governo ao reclamarem. Mas o caso de Kesha está longe de ser isolado. O clima de tensão entre o pop e o governo está atingindo o ápice em 2026: o Radiohead recentemente mandou o Departamento de Segurança Interna “se foder” pelo uso de “Let Down” em vídeos pró-ICE, enquanto nomes como Olivia Rodrigo, Sabrina Carpenter e SZA também já vieram a público repudiar o uso de suas obras em propagandas que consideram racistas ou desumanas. Pelo visto, a trilha sonora oficial do governo seguirá sendo motivo de muita briga judicial e climão nas redes.

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