O rapper e produtor Ye, anteriormente conhecido como Kanye West, perdeu um processo movido pelo gerente de projetos Tony Saxon, ligado à antiga mansão do artista em Malibu. O veredito foi anunciado nesta quarta-feira e trouxe um resultado considerado misto.

O júri determinou que Saxon receberá US$ 140 mil, além de honorários advocatícios e custos judiciais. Embora a quantia seja inferior aos US$ 1,7 milhão em danos compensatórios solicitados pela defesa do gerente, o valor total que Ye deverá pagar pode aumentar significativamente após a inclusão das taxas legais, que ainda não foram divulgadas.

Durante o julgamento, o júri concluiu que Saxon era de fato um funcionário e sofreu lesões durante o trabalho, como alegava no processo. No entanto, os jurados rejeitaram a acusação de que ele teria sido demitido de forma injusta.

Após a decisão, os advogados de Saxon classificaram o resultado como uma vitória para o cliente. O advogado Ronald Zambrano afirmou que, ao longo do processo, a equipe de defesa de Ye tentou descredibilizar o gerente. Segundo ele, registros médicos, financeiros e até aspectos da vida pessoal de Saxon foram questionados em tribunal, além de críticas públicas feitas por Milo Yiannopoulos, representante da marca Yeezy.

Outro advogado do caso, Neama Rahmani, destacou que a legislação trabalhista da Califórnia permite a recuperação dos custos legais. Segundo ele, ao final do processo, o valor total da condenação pode ultrapassar US$ 1 milhão.

O julgamento começou em 23 de fevereiro e contou com depoimentos de Ye e de sua esposa, Bianca Censori. Durante o interrogatório, o artista respondeu “não me lembro” à maior parte das perguntas. Observadores do tribunal também relataram que ele aparentou cansaço durante o depoimento — algo contestado pela defesa.

Na fase final do julgamento, o advogado Andrew Cherlaskey negou que o músico tenha cochilado no banco das testemunhas. “Ele respondeu às perguntas. Não estava dormindo. Apenas entediado”, afirmou.

No processo, Saxon alegou que havia sido contratado para gerenciar as obras da mansão de Ye em Malibu por US$ 20 mil por semana, mas afirmou ter recebido apenas um pagamento nesse valor, além de US$ 100 mil destinados a custos de construção.

O gerente também declarou ter sofrido lesões graves no pescoço e nas costas durante o trabalho. A defesa de Ye tentou contestar a gravidade das lesões apresentando vídeos em que Saxon aparece cantando com uma banda em um bar e se movimentando intensamente durante a apresentação.

Outro ponto que chamou atenção no julgamento foi o projeto de reforma da residência, originalmente desenhada pelo arquiteto japonês Tadao Ando. Segundo Saxon, Ye pretendia remover escadas e até desligar eletricidade e encanamento externos para tornar a casa totalmente independente da rede pública. Em depoimento, Bianca Censori confirmou parcialmente a história ao afirmar que o marido cogitou retirar uma das escadas e substituí-la por um escorregador.

Saxon também afirmou que, durante as obras, passou a atuar como segurança em tempo integral, além de gerente do projeto, permanecendo na propriedade por orientação direta do artista. Ye, por sua vez, declarou no tribunal que não se lembrava da maioria desses episódios.

Nos últimos anos, Ye também tem enfrentado críticas na indústria do entretenimento após declarações antissemitas. Recentemente, ele publicou um pedido de desculpas em um anúncio no jornal The Wall Street Journal.

Apesar das controvérsias, o artista segue com novos projetos. Ele foi anunciado como atração principal de um show no SoFi Stadium, marcado para 3 de abril, e prepara o lançamento do álbum Bully, previsto para chegar às plataformas ainda este mês por meio de um selo independente.

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