A estreia do Escarcéu no mercado musical não acontece por acaso — ela é resultado de um processo criativo que começou muito antes mesmo da definição do duo. Formado por Marcel e Alinne Garruth, o projeto chega com o single duplo “A Vida É Mesmo Uma Piada”, acompanhado das faixas “Casca de Banana” e “Quem Sabe Era Mais Feliz”, marcando o início oficial dessa nova fase.
Em entrevista, os artistas contam que a decisão de transformar a parceria em um projeto estruturado veio depois que o processo criativo já estava em andamento. “O projeto nasce, na verdade, depois até do início do álbum. A gente sabia antes de tudo que queria fazer um álbum juntos, antes de existir o nome, antes de existir a ideia de ser um duo de fato. Poderia ser uma banda, poderia ser um trabalho solo meu ou dela, mas a gente entendeu que o duo era o que a gente tinha de mais potente”, explicam. “A identidade, até a persona, foi se moldando junto com o processo do álbum. A gente foi fazendo música e se entendendo também durante esse processo.”
As duas músicas que marcam o debut têm origem em um projeto audiovisual que não se concretizou. Inicialmente pensadas para um filme, as faixas passaram por uma transformação significativa até chegarem ao formato atual. “Elas faziam parte de uma possível trilha de um filme. A música não era assim exatamente, o arranjo não era assim, e tinha basicamente só o refrão. A gente mandou só um trechinho. Então, o embrião estava ali, mas a música se transformou muito até chegar nesse ponto que está hoje”, revelam.
O tom do lançamento já se apresenta no próprio título: “A Vida É Mesmo Uma Piada”. A proposta do Escarcéu passa por olhar para as frustrações do cotidiano com uma lente mais irônica e leve — sem ignorar o peso das experiências. “Transformar as dores em música já é inerente ao fazer arte. É natural. A maneira que a gente faz isso, debochando, passa por não levar tão a sério nada. A vida é mesmo uma piada”, dizem. “A gente tenta trazer essas frustrações sem relativizar, porque cada um sabe o tamanho da dor que carrega, mas do nosso jeito irreverente.”
Na construção sonora, o duo aposta em uma mistura de referências que vai do samba e do bolero ao trap e ao pop contemporâneo. Segundo eles, esse caminho surgiu mais de uma escolha do que de uma busca. “A gente segue experimentando, mas sendo bem sincero, essas estruturas já fazem parte do que a gente escuta. A gente vive isso. O mais importante foi a decisão de misturar essas influências dentro dessa regionalidade — com violão, bandolim, cavaquinho. A partir disso, o resto foi bem orgânico.”
Essa diversidade aparece de forma clara nas duas faixas, que têm atmosferas bem distintas. Enquanto uma puxa para a melancolia, a outra aposta no humor e na leveza. Para o Escarcéu, esse contraste foi pensado como uma forma de apresentação ao público. “Esse contraste é quase didático. A gente ficou com receio de, num primeiro lançamento, se apresentar como uma coisa só. ‘Quem Sabe Era Mais Feliz’ tem uma melancolia que faz parte da gente, mas a gente não é só isso. E ‘Casca de Banana’ traz uma alegria, mas também não resume quem a gente é”, explicam. “A ideia de lançar um single duplo também passa por isso: mostrar que a gente não é uma dupla de um gênero específico. A gente pretende ser plural artisticamente.”
O lançamento marca apenas o começo de uma trajetória que já está em movimento. Sem antecipar todos os detalhes, a dupla garante que esse é só o primeiro passo de um plano maior. “É o início de tudo. A gente está se apresentando para o mercado agora. Tem mais lançamentos pela frente e a ideia é consolidar um álbum ainda esse ano.”
Com o Escarcéu, Marcel e Alinne abrem um novo capítulo na carreira apostando em autenticidade, contraste e liberdade criativa — elementos que já aparecem com força logo nesse primeiro lançamento.






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