O INÍCIO – Distante da capital São Luís (MA) e mais ainda do Sudeste do Brasil, onde vive o antropólogo e músico carioca Lucas Kastrup, a Baixada Maranhense guarda, em seus povoados rurais, diversas expressões culturais na interface entre tradições africanas, indígenas e católicas do Nordeste e Norte do Brasil. Unindo música, dança e poesia, as festas, com fartura de ritmos e de alimentos, atravessam longas gerações.

Tambor de Crioula, Tambor de Mina, Toque do Divino, Bumba-meu-boi, Baile de São Gonçalo, entre outras manifestações populares, fazem parte do universo das pesquisas de Lucas Kastrup no campo de estudos da música e rituais, que iniciaram de forma independente em 2018 e contou com o apoio do Instituto Nova Era em 2020. Em 2023, após três anos de pesquisa de seu projeto de pós-doutorado no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Museu Nacional da UFRJ, o compositor e membro-fundador da banda Ponto de Equilíbrio apresentou alguns resultados do estudo na exposição fotográfica “Baile de São Gonçalo: Retrato da Baixada Maranhense” durante as celebrações de 206 anos do Museu Nacional, no Rio de Janeiro.

O ÁLBUM – A partir do ano seguinte, ele ampliou as pesquisas na audição de diversas tradições locais e, dia 27 de agosto, apresenta ao Brasil um navegar ainda mais profundo pelas águas e músicas da região, no álbum “MARANHÃO RAIZ: Lucas Kastrup visita mestras e mestres”. O trabalho registra e expõe a diversidade musical das tradições orais do interior maranhense, dando voz a mestras e mestres anônimos que perpetuam saberes ancestrais através de uma gama de ritmos e canções. Manifestações como Tambor de Crioula, Tambor de Mina, Bumba-meu-boi, Toque do Divino, Cacuriá e Baile de São Gonçalo são algumas das memórias que o pesquisador e produtor musical reconhece nesses mestres maranhenses.

“Durante a pesquisa, eu e dois técnicos de som percorremos povoados rurais da Baixada Maranhense registrando manifestações culturais que foram compiladas nesta obra; um álbum que traz, pela primeira vez, um recorte da expressão musical pelo olhar cultural e social desta região brasileira. Foi uma experiência emocionante”, afirma Lucas Kastrup Rehen, que também é baterista da banda Ponto de Equilíbrio, uma importante referência na história do gênero reggae no Brasil desde 1999.

O álbum reúne 8 faixas, entre autorais dos mestres e canções de domínio-público presentes nos folguedos, rituais e manifestações populares preservadas pela tradição oral. Entre os músicos locais e artistas convidados que acompanham as mestras e mestres nestas gravações, estão: o percussionista Cacau Amaral e o violonista Chico Nô. Além dos anciãos cantores, duas faixas trazem as vozes de crianças em coro, registradas no município de São Vicente Férrer, na Baixada Maranhense, e na capital São Luís.

VIDEOCLIPE – Além de produzir o álbum, Lucas Kastrup assina a autoria da faixa-título, o reggae “Maranhão Raiz”, lançada recentemente como single do álbum e que enumera em sua letra os ritmos que constroem este trabalho. Lucas toca bateria e percussão na gravação, que é interpretada pela “Dama do Reggae”, a maranhense Célia Sampaio, com participação do cantor jamaicano Phe-Nom.

“Célia é uma referência do gênero no Estado, no Brasil, uma grande amiga e a convidei para interpretar essa nova canção. Uma curiosidade é que, em São Luís, as pessoas gostam de ouvir o reggae raiz em inglês. Então fiz uma versão da letra e convidei o jamaicano Phe-nom para cantar também”, conta Lucas, que voltou à região no fim de 2025 para gravar o clipe, lançado junto com o single, que exibe imagens de alguns dos rituais estudados, além de Célia Sampaio, Phe-nom e dançarinos de reggae.

O roteiro do vídeo foi assinado pelo próprio Lucas, direção em parceria com João Simas, que co-editou com Klícia, ambos artistas maranhenses. Confira no YouTube ou InstagramEm breve, junto ao lançamento do álbum “MARANHÃO RAIZ: Lucas Kastrup visita mestras e mestres”, o produtor disponibilizará mais 6 vídeos curtos com imagens gravadas durante este período de experiências, pesquisa e levantamento etnográfico-musical no interior do Maranhão. 

capa do álbum traz o registro de uma senhora durante o Baile de São Gonçalo equilibrando um prato de velas acesas sobre a cabeça como forma de agradecimento e pagamento de promessa enquanto assiste ao festejo. A imagem é da fotógrafa Carol Libério, que acompanhou Lucas em uma das visitas a campo, em São Vicente Férrer (MA). A finalização da capa é do artista Bragga

MÚSICA & AÇÃO SOCIAL – Envolvido com as comunidades do interior do Maranhão desde 2018, no início de suas pesquisas em campo, o músico e pesquisador Lucas Kastrup participa de ações sociais locais de educação e saúde, ao lado de sua esposa, a pedagoga, assistente social e professora Waldorf Juliana Genuncio, apoiando a escola comunitária Jardim de Belas Flores, no povoado rural do Bom Jardim, em São Vicente Férrer (MA). As crianças e educadoras desta iniciativa pedagógica, incluindo Ju Genuncio, cantam na faixa “Paneiro” do novo álbum. 

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