Juliette Freire e Kaique Cerveny oficializaram sua união nesta quinta-feira, 29 de outubro, no Instituto Ricardo Brennand, no Recife, em uma celebração que traduziu a história do casal por meio do encontro entre afeto, memória e cultura. O casamento foi concebido como uma experiência que aproximou diferentes origens, valorizou saberes tradicionais e reconheceu as pessoas que transformam matérias e histórias em arte.

Com o conceito “céu à terra”, a celebração partiu de elementos como algodão, pedra, barro e tecidos para construir uma narrativa visual e sensorial. As referências à Paraíba e a Pernambuco apareceram em diálogo com a criação contemporânea, reunindo diferentes expressões da cultura nordestina em uma composição que refletiu a identidade dos noivos e a importância de suas histórias familiares nessa nova etapa.

“Eu queria que esse dia tivesse a nossa cara e carregasse um pouco de tudo o que nos trouxe até aqui. O Nordeste faz parte de quem eu sou, da minha história, da minha família e da forma como enxergo a vida. Por isso, foi muito especial poder trazer essas referências para perto de nós e dividir esse momento com pessoas que representam tanto da nossa cultura. Cada escolha teve um significado, desde os materiais e o trabalho dos artesãos até a música e os sabores. Mais do que uma festa bonita, eu queria que fosse uma celebração de afeto, de encontros e de tudo aquilo que merece continuar sendo valorizado. E, no centro de tudo isso, está o nosso amor e a vontade de construir uma vida juntos”, afirma Juliette.

“Tudo foi decidido por nós com muito carinho, e acho que isso tem muito a ver com a nossa relação: o que tem dela está em mim, assim como o que tem de mim está nela. A gente já divide a vida há algum tempo, e eu tenho muita sorte de ter ao meu lado uma mulher que admiro tanto. Nossa relação é construída com muito companheirismo, carinho, respeito e cumplicidade. Casar é dar mais um passo nessa história, com a vontade de continuar crescendo juntos, criando nossas memórias e construindo a nossa família”, declara Kaique.

A escolha do Instituto Ricardo Brennand também integrou esse encontro de referências. Cercado por jardins e áreas verdes, o complexo cultural reúne arquitetura, arte e memória em um cenário que aproxima diferentes tempos e culturas. Nesse espaço, a celebração do amor ganhou novas camadas de significado, conectando a história pessoal do casal a um lugar dedicado à preservação e à difusão da arte e da história.

Uma história de amor feita de encontros

Vindos de universos diferentes, Juliette e Kaique encontraram um no outro a possibilidade de construir uma vida em comum. Ela, nordestina, espontânea e intensa; ele, paulista, atleta e de temperamento tranquilo, com forte ligação à família. O relacionamento se desenvolveu a partir dessas diferenças, que deram lugar a uma parceria marcada pelo acolhimento, pela cumplicidade e pela descoberta de novas formas de enxergar a vida.

A união também representou o encontro de suas famílias e trajetórias. Para Juliette, celebrar esse momento no Nordeste foi uma maneira de manter suas origens próximas de uma das decisões mais importantes de sua vida, levando para a cerimônia referências que fazem parte de sua história e que passaram a integrar a memória do casal.

A memória presente nos detalhes

A identidade da celebração se manifestou também nas escolhas de moda. O vestido principal de Juliette, assinado por Carlos Bacchi, combinou seda brasileira a tecidos produzidos a partir de garrafas PET, aproximando delicadeza, pesquisa de materiais e novas possibilidades de criação. Outra peça incorporou renda Renascença nordestina e bordados desenvolvidos por Rebeca Nepomuceno, trazendo para a narrativa o valor do trabalho manual e de técnicas transmitidas entre gerações.

O algodão ocupou um lugar especial nesse universo simbólico. Além de remeter à leveza e à resiliência, o material guarda uma memória familiar: a avó de Juliette trabalhou com algodão. A referência afetiva se conectou à história da produção algodoeira na Paraíba e ao trabalho de agricultores familiares que cultivam a matéria-prima de forma agroecológica. Após a celebração, o algodão utilizado no projeto retornará à cadeia produtiva para ser transformado em novos produtos, prolongando o ciclo do material para além do evento.

O barro e as pedras também carregaram histórias próprias. Parte dos elementos da celebração foi produzida por artesãos de Tracunhaém, em Pernambuco, município reconhecido por sua tradição ceramista. As peças incorporaram as marcas do trabalho manual e evidenciaram como os saberes tradicionais podem encontrar novas formas de expressão quando colocados em diálogo com o design contemporâneo.

A proposta se estendeu às lembranças oferecidas aos convidados, entre elas bolsas de crochê confeccionadas artesanalmente por mulheres da comunidade do Marinho, em Boqueirão, na Paraíba, e pedras personalizadas com os nomes dos convidados, produzidas por mulheres participantes do Ressignificarte, em parceria com a Arte Pedras. Fundado por Taciana Salviano, diretora da Arte Pedras, o projeto capacita mulheres em processo de ressocialização da Penitenciária Feminina de Abreu e Lima (PE) por meio do trabalho artesanal, promovendo autonomia, geração de renda e novas oportunidades. As lembranças valorizam o trabalho manual e as trajetórias de quem as produziu, transformando objetos em registros afetivos da celebração e em expressão do valor do fazer coletivo.

Além disso, Chico Bruno, um dos maiores cordelistas, xilógrafos e artesãos do país, produziu um cordel inédito contando a história do casamento.

Sabores e música que contam histórias

A gastronomia também participou da construção dessa narrativa. Sob a assinatura do chef paraibano Onildo Rocha, o menu aproximou referências da cozinha armorial e ingredientes ligados à cultura nordestina de uma leitura contemporânea da alta gastronomia. A proposta valorizou sabores e memórias regionais, explorando novas possibilidades sem perder de vista suas origens. O bolo e os doces, produzidos por Cake Hannouche e Lana Bandeira, respectivamente, se assemelham a pontos de rendas nordestinas que estavam dispostos em uma sala revestida por algodão paraibano colorido.

A música acompanhou diferentes momentos da celebração. A Orquestra Sonata participou da cerimônia ao lado de Liniker e Agnes Nunes e retornou durante o jantar, criando uma atmosfera que acompanhou a dimensão afetiva do encontro. Shows de Xand Avião e Psirico e DJ sets de Felipe Mar e Cabra animaram a noite, reunindo diferentes sonoridades em uma programação que traduziu a pluralidade cultural da festa.

Por trás de cada escolha, houve uma rede de profissionais, artistas, artesãos e produtores envolvidos na construção da experiência. Da criação dos vestidos à decoração, da cerâmica à gastronomia, o casamento reconheceu as muitas mãos que deram forma à celebração e preservam conhecimentos que atravessam gerações. Entre céu e terra, memória e futuro, o encontro dos dois ganhou expressão em uma experiência construída a partir do afeto, do pertencimento e da valorização da cultura.

Madrinhas e Padrinhos

Gilberto Gil e Flora, Anitta e Chico César, Deborah e Huayna, Rallyson e Elba Ramalho, Giovanna Ewbank e Bruno Gagliasso, Monaliza e Guilibaldo, Bianca Andrade e Gil do Vigor, Leda Lucena e Ryan, Nicolle Pontes e Cícero, Maria Izabel e Hugo, Rafaela Andrade e Gabriel, Raif e Dafny, Anderon e Laura, França e Déia, Alexandre e Juliana, Camilla Diniz.

Lajedo

A celebração no Recife deu continuidade a um momento que começou semanas antes, em 30 de setembro, quando Juliette e Kaique se casaram em uma cerimônia íntima no Lajedo de Pai Mateus, em Cabaceiras, no Cariri paraibano, cercados apenas pelos pais e irmãos. Escolhido por sua conexão com as origens da artista, o lugar foi o cenário de um encontro marcado pela ancestralidade, pela memória familiar e pela simplicidade. Para a ocasião, Juliette vestiu uma criação da estilista nordestina Rebeca Nepomuceno que incorporou peças de crochê feitas por sua avó, transformando uma lembrança afetiva em parte do vestido. A cerimônia também reuniu tradições da família, com uma celebração ao som de forró, fogueira e comida regional, além de uma trilha de moto com os irmãos, em referência à história compartilhada entre eles. Se no Cariri o casal escolheu celebrar a união de forma reservada, junto às raízes e à família, no Recife ampliou esse encontro para receber amigos e convidados.

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